Psicologia Clínica Infantil Comportamental

A psicologia clínica infantil comportamental é uma modalidade da psicologia clínica que atua com pessoas até 12 anos de idade se utilizando de ferramentas lúdicas para explorar a forma como a mesma se relaciona consigo e com o ambiente que a rodeia, objetivando desenvolver métodos que visam aprimorar a sua interação com o que lhe é interno (como seus sentimentos) e também com o que lhe é externo (como sua relação com as pessoas).  A psicoterapia comportamental infantil, é fundamentada em princípios teóricos advindos de vastas pesquisas experimentais e/ou observacionais, acaba por intervir não apenas na criança em si, mas na sua inter-relação com o meio. Tais princípios podem ser exemplificados como os processos de aprendizagem social, cognitiva e comportamental, dados de origem biológica, perceptual, motivacional e de desenvolvimento. 

Os princípios norteadores do trabalho do psicoterapeuta clínico infantil preconizam que os pais e a criança formam juntos o que chamamos de cliente. Considerar a família como parte integrante das queixas sobre a criança amplia a visão e a possibilidade de intervenção. Por conta disso é necessário um diálogo entre o profissional, os pais e a criança para o melhor desenvolvimento do trabalho e descoberta de maiores possibilidades de intervenções terapêuticas dentro da clínica.

Existem muitas dificuldades decorrentes do trabalho psicoterápico infantil, principalmente por conta de ser uma fase de muitas transformações, novas aprendizagens e possíveis problemas escolares. As principais dificuldades encontradas são a falta de estrutura das escolas para receber alunos portadores de necessidades especiais, falha no diálogo entre os pais e os filhos e a exigência inadequada da criança no contexto em que vive. A partir desse ponto, cabe ao psicoterapeuta buscar o diálogo com a família para estabelecer programas de intervenção que supram as falhas vivenciadas pela criança em seu contexto. Vale lembrar que tal programa pode ser planejado para a criança, para os pais, para a criança e os pais ou até mesmo para toda a família; a psicoterapia comportamental clínica infantil acontece em conjunto. Sendo assim, o principal desafio do terapeuta é evidenciar a função do comportamento da criança que está sendo relatado em determinado ambiente, verificando como ela acontece em outros contextos. Leva-se em conta também os comportamentos desejados que a criança não costuma apresentar. Deixa-se claro então que o comportamento é apresentado naquele ambiente por conta de uma determinada consequência e que se essa consequência for alterada ela pode deixar de existir, assim como, pode passar a apresentar novos comportamentos no mesmo contexto. 

Nesse momento cabe delimitar como se dá o trabalho do psicólogo clínico infantil. Torna-se necessário primeiro esclarecer que não há um tipo de intervenção padrão em terapia comportamental infantil, qualquer processo é realizado mediante uma análise funcional de dados coletados juntamente aos pais e criança, avaliando assim as dificuldades apresentadas e delineando o programa de intervenção mais adequado ao momento vivenciado. Para coletar tais dados o terapeuta faz uso de ferramentas lúdicas como jogos de tabuleiro, brinquedos, desenho, teatro e no momento em que exerce a atividade acaba por ensinar o funcionamento de regras, ajudando a desenvolver comportamentos adequados (como por exemplo, guardar os brinquedos após o uso). Hoje o uso de brinquedos com fins clínicos recebe o nome de ludoterapia comportamental infantil tendo um status científico por si só. 

Dessa forma, torna-se claro que o psicólogo comportamental infantil se utiliza de princípios norteadores fundamentados principalmente na aprendizagem social, fundamental para ensinar comportamentos adequados para o cliente (que se constitui não só pela criança, mas também pela família como um todo). As dificuldades enfrentadas são principalmente a falta de estrutura das escolas de receber crianças portadores de necessidades especiais e exigências inadequadas por parte dos pais. A intervenção se dá por meio da análise dos dados e elaboração de intervenções a partir dos dados, os dados podem ser coletados através de ferramentas lúdicas como jogos de tabuleiro, brinquedos, desenho, teatro e assim a criança acaba por desenvolver comportamentos adequados e entender o funcionamento de regras. Isso se dá porque geralmente a criança não tem um repertório verbal bem desenvolvido a ponto de se beneficiar de uma terapia puramente verbal. Assim a ludoterapia vem como uma forma de facilitar a construção de um repertório básico que possibilite o desenvolvimento de um padrão de vida saudável.