O autismo é caracterizado por um conjunto de sintomas sendo assim chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Dentre os principais sintomas estão prejuízos qualitativos na interação social, associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos pronunciados. É importante evidenciar que esses comportamentos costumam se manifestar no início da infância. Devido à enorme variabilidade em termos de comportamento (gravidade dos sintomas), cognição e mecanismos biológicos dispõe-se de avaliações individualizadas para propor a melhor composição de um acompanhamento para o caso.

As principais dificuldades quanto ao autismo se iniciam pelo diagnóstico, o primeiro especialista a ter contato com a criança é o pediatra e o mesmo geralmente não tem conhecimento dos sintomas para fazer um diagnóstico prévio e facilitar o acompanhamento do sujeito. Têm-se também como uma dificuldade o contexto escolar, muitas escolas não estão preparadas para suprir as necessidades de um portador de autismo, os professores e coordenação pedagógica demonstram não ter o manejo necessário para receber o aluno e por isso é – ainda mais - necessário o acompanhamento deste aluno dentro e fora de sala de aula. Dentro da escola a facilitação pode ser feita com o auxílio do acompanhante terapêutico que tem os conhecimentos necessários dos processos comportamentais e promove a aprendizagem de comportamentos adequados no contexto escolar por conhecer as limitações e possibilidades do repertório da criança. Fora deste espaço mostra-se necessário a intervenção do psicólogo clínico comportamental infantil. O psicólogo, no caso do autismo, não trabalha isoladamente. Desenvolve o seu plano de intervenção juntamente a uma equipe multidisciplinar que envolve psicopedagogos, fonoaudiologistas, psicomotricistas, neurologistas, terapeutas ocupacionais, dentre outros sempre tendo em vista o desenvolvimento integral da criança.

É necessário delimitar como funciona a atuação do psicoterapeuta clínico comportamental infantil. O psicólogo atua primeiro fazendo uma linha de base. A linha de base consiste em expor o repertório de comportamentos que a criança emite para a partir desse repertório construir um mais amplo e adequado para cada contexto em que essa está inserida; assim facilitando o desenvolvimento de uma vida saudável em todos os aspectos. Para isso primeiro é necessária uma entrevista com os pais para a compreensão do comportamento da criança em cada contexto, é importante explorar principalmente os ambientes onde há mais queixas. Existe uma troca constante entre pais e terapeuta, inclusive este pode proporcionar acolhida à família, no sentido de minimizar as angústias e sofrimentos, e orientá-la no tratamento com a criança nos contextos que vivenciam juntos.

A partir da primeira troca de informações o profissional pode começar a coletar mais informações junto à criança para começar a propor planos de intervenção, essa coleta é realizada através de ferramentas lúdicas; como jogos de tabuleiro brinquedos, desenho, teatro e a criança acaba por desenvolver comportamentos adequados que não eram emitidos anteriormente. É importante o uso desse tipo de ferramentas, visto que, a criança – geralmente - não tem repertório verbal suficiente para se beneficiar de uma terapia puramente verbal. Munido dessas informações o terapeuta desenvolve planos de intervenção que não envolvem apenas a criança, mas sim toda a família, objetivando o aumento do repertório de comportamentos adequados e variação destes no que tange a sua interação social, comportamentos repetitivos e interesses restritos pronunciados. A aprendizagem por meio de ferramentas adequadas acaba por superar o mecanismo biológico do cliente ao decorrer da terapia.

Dessa forma, o psicólogo mostra-se um facilitador da inclusão do sujeito portador do transtorno do espectro autista a partir da aprendizagem de um vasto repertório de habilidades sociais, emocionais, motoras e ampliação do repertório verbal. Assim como promove, também, ferramentas para os pais lidarem com a criança nos mais diversos contextos além do conforto necessário para executar tal tarefa.